Xintoísmo é o nome dado à espiritualidade
tradicional do Japão. A origem de seu nome, que significa “Caminho dos Deuses”,
vem da palavra Shinto, que possui a
formação morfológica baseada na junção de dois kanjis: Shin (神)-kami
(deus/deuses) e tō (道)-caminho.
Em suma, o xintoísmo consiste em uma religião
politeísta que tem como alvo de culto elementos da natureza e culto aos
ancestrais. Sua base religiosa está fundamentada na pureza de rituais,
purificação do que lidam com os kami**
e na honra e celebração da existência dos
destes.
Um pouco de história...
O Xintoísmo é provavelmente a religião mais
antiga do Japão. Sua prática, apesar de arcaica, existe antes da implantação do
cultivo do arroz no período Yayoi (300a.C.~ 300d.C.). Durante este período, o
Xintoísmo ainda era composto basicamente de rituais agrícolas e festivais, além
da adoração a elementos da natureza, como a chuva e relâmpagos.
Com a entrada do budismo no arquipélago em
meados do século VI, a religião começou a se organizar. Essa formalização se
iniciou com a ajuda de vários clãs mais influentes no Japão. Mas, à medida que
os Yamato tomavam o poder, esse processo se deu de uma forma mais sucinta. Com
a criação da casa imperial e o Kojiki*,
seu desenvolvimento foi garantido a longo prazo.
O budismo no xintoísmo.
O budismo foi introduzido no arquipélago no
século VI. Vindo de sua vizinha, a Coreia. Apresentado ao imperador, o budismo,
apesar se algumas resistências iniciais, como toda religião diferente, triunfou
sobre a religião tradicional, tendo colaborado para a ratificação do poder
imperial com o apoio dos governantes locais.
No entanto, a tendência, e mais de acordo com a
filosofia Oriental, foi de fundir as duas religiões, mas com destaque ao
budismo.
Durante muitos séculos, o budismo impôs sua
influência, se sobressaindo em relação ao xintoísmo.
No decorrer dos séculos XVI-XVII, o Japão viveu
um momento renascentista, com o consequente afastamento das influências
estrangeiras. Apesar de o budismo não ter perdido seu “brilho”, ele foi
colocado em segundo plano, devido aos movimentos nacionalistas que estavam
ocorrendo no momento e que atingiria seu auge no período seguinte (Era Meiji).
Durante a Era Meiji, no esplendor do
nacionalismo japonês, o xintoísmo, como já era esperado, foi escolhido como
religião oficial do império, criando assim, o xintoísmo de Estado.
O xintoísmo estatal caracteriza-se pela
sacralização do Estado. Devido a isso, o xintoísmo foi despido de seu caráter
religioso para se tornar um dever cívico de reverência ao Estado e ao
imperador.
Essa espécie de governo, vigorou por algumas
décadas. Com a derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial, esse processo
começou a decair. Em 1946, foi proclamada uma nova Constituição, destituindo o
imperador de seu poder divino e tornando-o apenas um símbolo de unidade
nacional.
*O Kojiki,
assim como o NihonShoki, são escritos
do Xintoísmo onde estão fundamentados assuntos como a legitimidade do imperador
e da sua família na casa imperial.
Ex.: Com base nesses escritos, acredita-se que o Imperador Jimmu era tataraneto
de Amaterasu Omikami (deusa do sol) -principal deusa xintoísta como Tsukuyomi
Jimmu (deus da Lua) e Susano Mokoto (deus da tempestade) e Isanagi e Isanami
(responsáveis pela criação do arquipélago e dos kami citados acima). O culto à Amaterasu ocorre no principal templo
xintoísta: Santuário Ise.
**São divindades e podem se manifestar de
diversas formas, como árvores sagradas, pedras sagradas, como elementos
naturais, na forma humana (ikigami), entre outros.
Nos tempos atuais...
No mundo, há vários santuários xintoístas, como
no Brasil, Estados Unidos, Austrália, Países Baixos, entre outros e possui
potencial para se tornar uma religião global, especialmente com o surgimento de
ramos internacionais de santuários shinto.Links de referência:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Xintoísmo
www.br.emb-japan.go.jp
